Língua estrangeira no exterior: a professora sendo aluna

Oi, gente. Tudo joia com vocês? Comigo, tudo tranquilo, ainda organizando a vida por aqui,mas tudo certo.
Hoje vou contar um pouco sobre como é ter aulas de inglês em um país de língua inglesa.
Há umas semanas terminei o primeiro módulo de inglês aqui. Escolhi um curso certificado pelo governo, e pagamos por 12 semanas ( este curso não te obriga a fazeres um módulo inteiro, podes pagar 8, 12, 16 semanas... E podes começar em qualquer segunda-feira).
Quem me conhece sabe o pânico que tenho com a língua inglesa, e sabe também o quanto sou exigente com relação ao processo ensino/aprendizagem de línguas. Mas, vivendo aqui, o inglês é um idioma do qual eu não posso fugir. Então, lá fui eu, encarar meus medos e me desafiar.
Para começar o curso, tive que fazer um "placement test" para verificar qual nível seria mais adequado. Aqui já percebi diferenças com relação ao que acontece na maioria dos cursos no Brasil  (trabalhei em alguns, então falo por expriencia): fiz a prova de gramática, escrevi um texto com tema determinado por eles - being healthy - e tive uma "conversa" com a avaliadora. Ela corrigiu minha prova e meu texto, e depois do nosso bate-papo, disse que eu estava apta a cursar o Intermediate B. Então, me deu o cartão da escola para que eu participasse de uma aula, sem contar o prazo do meu pagamento, para ver se eu me sentia a vontade  no nível indicado.
Fui para a aula, no Int B, participei da aula ( com um nível de ansiedade gigante) e ao final, ao conversar com a professora do nível para que ela confirmasse a minha permanência ali, falei que preferia voltar um nivel, ou seja, ir para o Intemediate A, pois meu bloqueio ainda era muito grande, e apesar de conseguir acompanhar  muito bem a aula, não me sentia confortável para falar. Ela ainda tentou me convencer a ficar neste grupo, dizendo que talvez o Int A fosse muito básico, já que eu demonstrava ter conhecimento, mas que se eu sentia que poderia evoluir mais lá, então que fosse. E assim foi. ( Diferença do curso no Brasil: provavelmente nivelariam para baixo, para que tu pagues mais tempo de curso).
Comecei, então, o curso de fato, no dia 22 de Maio. E aqui começam as minhas observações sobre  estudar idiomas fora do teu país. Muitas vantagens, e algumas desvantagens.
As vantagens:
1.Vais utilizar a língua que estás aprendendo. Muito. É a única maneira para te comunicares com os colegas e os professores. Se tens dúvidas, perguntas, curiosidades, tudo, absolutamente TUDO terá que ser dito em inglês.  Não há como escapar.
2. Vais conhecer gente do mundo todo, nas mesmas condições que tu (sem falar muito, recém chegando a outro país, em fase de adaptação...) E, de novo, a única forma de comunicação  é o inglês - a não ser que sejas muito bom em mímicas!
I and my friend Karla ( mexican) in the first class in Itermediate B! Yes, we speak spanish!
3. Se tem lugar para cometer erros e gafes linguísticas, é na sala de aula ( dica de profe!) Assim, mesmo que passes vergonha dizendo algo, todos saberão que não era o que querias dizer, e vais aprender como  te expressar melhor. E nunca esqueças que cada país tem suas peculiaridades com relaçao a expressões e "símbolos". A linguagem não-verbal nem sempre é a mesma de nosso país.
4. Cultura: vais respirar inglês. E toda a cultura que vem "de brinde" quando estás em outro país.
Desvantagens:
1. Se tens um nível de ansiedade muito grande, pode ser sofrido querer perguntar algo, esclarecer uma dúvida e não ter vocabulário/estrutura gramatical suficiente para formular tua dúvida e conseguir a resposta que precisas. ( Eu sofro muito com isso!)
2. Se precisas de uma palavra, não podes recorrer ao português para pedir ajuda, pois não  há esta opção. ( ok, eu tinha, já que minha professora era portuguesa, criada no Canadá, mas ela não deixava usar o português, só quando eu entrava em surto com algo, ela me pedia a palavra em português e me "salvava").
3. Vais ter colegas que "pensam que falam", mas que na verdade são péssimos, mas tem vocabulário. No meu caso, tinha muitos colegas que vivem aqui há muitos anos ( um, há 26 anos), se comunicam, mas não escrevem, nem leem em inglês, e a pronuncia é assustadora.  Aqui entra minha maior crítica a quem está aprendendo línguas: não basta "se comunicar", é preciso aprender direito, conhecer a estrutura da língua, usar os verbos adequadamente e, se possível, aprimorar a pronúncia ao máximo. É o que eu me cobro. Principalmente nesta situação, de estar vivendo o idioma. Não há desculpas para não se aprimorar. Escute as pessoas, preste atenção em como as coisas são ditas, preste atenção nos sons diferentes dos nossos ( sim, há muitos) e entenda que não é porque usamos MUITAS palavras em inglês no nosso português que elas estão corretas - nem na pronúncia, nem no uso!
Sei que esta não é a visão da maioria das pessoas que trabalham com língua, e mais ainda das pessoas que estudam algum idioma. Aquela máxima de que o que importa é se comunicar  ainda vale muito. Mas, pra mim, não é tão simples assim. Sim, o que importa é que consigas se comunicar, mas acho que isso é válido para quem aprende o básico, para viajar, por exemplo. Não para quem está aprendendo para trabalho, para faculdade ou para quem está vivendo em um país de lingua inglesa ( falo no inglês, maspenso o mesmo para qualquer idioma.)

See you! 

1 comentários

  1. Legal Dê !
    É exatamente isso. Aos poucos vamos lembrando o pouco que aprendemos na escola e nos soltando. O ouvido começa a captar as palavras. Aos poucos se progride. Vai em frente!
    Muito Obrigada por nos permitir fazer parte dessa experiência fantástica. Bjos

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