Gravidez gemelar: Parto e pós-parto

Oi, gente, como estão?

Demorei muito pra terminar este texto, pois a vida aqui começou a ficar movimentada e as gurias passaram a exigir mais atenção, e como meu tempo é delas, todo o resto fica pra depois.
Então, como prometido no post anterior, hoje eu vou contar um pouco sobre como foi o parto e o pós parto.

22/11/2016 - 06h45
Chegou a hora!
Como já contei antes, no dia 22 de novembro de 2016, por volta das 6h a médica entrou no quarto dizendo que não daria pra esperar mais, que teríamos que fazer a cesárea em uma hora. Tudo por conta da Síndrome de Hellp, que é uma doença grave, pouco conhecida entre as gestantes, e que se confunde com a pré-eclâmpsia, já que um dos sintomas é a alteração da pressão e o inchaço. Acontece que a Hellp ataca rim, figado, coração e plaquetas, podendo levar a morte do feto e da mãe. A qualquer momento, sem sintomas! Eu cheguei ao hospital com a pressão em 17/11, e com as plaquetas em 130.000. No último exame antes da cesárea, as plaquetas estavam em 80.000, e se chegassem a 50.000 eu não poderia mais entrar em cirurgia. Ou seja, era uma corrida contra o tempo. Então, lá fomos nós!
Eu só pensava nas gurias, que era muito cedo pra elas, e que eu queria que elas pudessem ficar ao menos até o inicio de dezembro. Mas eu sabia que era preciso que fosse naquele momento.

Fui preparada para a cesárea, levaram o Gui pra se preparar também, e ele avisou a família, que se tocou pro hospital. Me levaram pra sala de parto, e o Gui já estava comigo quando me deram a anestesia. Eu tremia muito, muito mesmo.
O mais estranho de tudo é que a gente não sente dor nenhuma mas sente os movimentos de alguém mexendo dentro de ti. Senti quando tiraram a Sofia, mas senti muito mais quando tiraram a Alice, que estava bem quietinha no seu cantinho, mais pro fundo da barriga. É uma sensação estranha este movimento. Minha pressão continuou super alta durante todo o parto, e parece que custou a baixar.
O Gui acompanhou as gurias. A pesagem, os testes... A Sofia precisou de ajuda pra respirar. A Alice nasceu berrando. Acho que ficou brava de a terem tirado da sua soneca! Não nos deixaram tocar nelas, nem as colocaram perto de mim  ( só me mostraram a Alice, que me olhou com aquele olhar tão cativante que ela tem, já que a Sofia precisou imediatamente da incubadora e dos recursos de respiração).

Fui pro quarto ( ainda no centro Obstétrico) e aí começou uma saga que eu não sei se tenho registro suficiente pra relatar. Me sentia bem, me sentia mal, fiquei gelada, morria de calor. Estava presa a vários medicamentos por soro, minha pressão começou a oscilar  (de altíssima a baixíssima). Em intervalos muito curtos vinham tirar sangue ou injetar alguma medicação.
Vinham médicos massagear o útero. Eu tive muito sangramento, o útero não contraía ( atonia uterina), a pressão não estabilizava. Mas eu não sentia nada, completamente dopada. Então resolveram fazer transfusão de sangue.Precisei de duas bolsas de sangue. Isso dói pra caramba... Eu não tinha mais onde ser furada. Tinha acessos e picadas no lugar usual, nos punhos, acima do dedão e em cima das mãos. Sim, nas duas.
Primeiro colinho pra minha Sofia!
23/11/2016 ( mais de 34 horas depois do parto)

Mas, no meio disso tudo, eu só queria VER AS MINHAS FILHAS.  O Gui me trouxe fotos delas e ia se revesando em ficar comigo, e na UTINEO.
Fiquei no Centro Obstétrico até quara-feira, por volta do meio dia, quando finalmente me levaram para o quarto, no mesmo andar da UTINEO. E então eu pude ver as minhas filhas pela primeira vez. e, para a minha surpresa, eu pude pegá-las no colo, cheirar, beijar, sentir cada uma delas bem juntinho a mim.

Eu tinha acesso irrestrito à UTINEO. Muitas vezes fomos na madrugada ficar com as gurias. O Gui também tinha acesso irrestrito, o que ajudou muito, pois ele podia ficar comigo e com as gurias, e nós ficávamos dando colo e carinho pras nossas duas baixinhas guerreiras. Nenhuma das duas precisou de ajuda respiratória alem do primeiro dia. E depois de 5 dias saíram da incubadora para os berços abertos.

Este processo todo de UTI nos ensinou a comemorar cada pequena conquista: sair da incubadora, usar roupinhas, aprender a sugar, tirar a sonda de alimentação, pegar o peito, ganhar 10g por dia. Tudo era uma ENORME conquista, e cada uma dela nos deixava mais perto do retorno para casa.

Depois de 8 dias internada, eu recebi alta, mas as meninas, não. Elas precisavam "completar" no mínimo 34 semanas gestacionais e 2kg. A Sofia nasceu com 1,850Kg, e a Alice com 1,695kg, mas como todo bebê perde peso nos primeiros dias, e o ganho de peso é pequeno ( mas é diário), elas não puderam sair junto comigo ( estavam completando 33 semanas  e 4 dias quando recebi alta). Essa, apesar de todo o susto do parto, foi a parte mais difícil: voltar pra casa e deixar meus bebês no hospital.  O que me confortava era que elas estavam bem, não tinham tido intercorrências, e só estavam lá por segurança, para se fortalecerem e virem bem pra casa, sem risco de retorno para a UTI.
Hora de buscar as guriazinhas. Segunda-feira, 12/12/2016. 20 dias de UTINEO.
E eu, seguia com a pressão altíssima. Saí do hospital com 5 comprimidos diários para a pressão, ferro e analgésicos, caso sentisse dor. Graças a Deus a minha cesárea  (apesar de todos os pesares) não teve problemas, cicatrizou super bem e em geral não tive dor ( além da dor pra me movimentar). Passei bastante tempo caminhando como a velha da Praça ( aqui, momento de entregar a idade!). Por sorte, tive muita ajuda nestes momentos todos: o Gui esteve presente 100% do tempo ( e ainda deu conta de trabalhar e reformar parte do apartamento), minha tia Marli, minhas afilhadas, minha sogra e meu irmão. Essa rede de apoio fez toda a diferença.

Enfim, apesar de tudo isso, eu não tive medo. Em nenhum momento senti que algo fosse dar errado. Sei que eu estava bem aparada, que tinha muita gente querida pra me ajudar, e muitos seres espirituais para me proteger. Então, tudo estava bem! E, para ter as minhas guriazinhas, eu faria tudo. E faço!


2 comentários

  1. Ahh,amiga! Ler essa experiência de vida sua, com tantos detalhes, me deu até um aperto no coração e um cisco no olho. Gratidão por tua vitória, pelo apoio que você recebeu e por conviver (mesmo que online) contigo! Muita saúde para todos vocês... e que consigamos tomar logo o nosso café!

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    1. Gracias, Ana. Pela parceria e pelo espaco no blog. E que venham nossos cafs, pois um so nao vai dar conta de tanta conversa pra por em dia!

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